Em tempos de escassez, conte com uma agência de alma grande e conteúdo para contar.

A Unit é uma empresa com quase meio século de existência -, especializada em marketing e endomarketing, on-line e off-line, que já foi de tamanho médio ao longo desse seu tempo de existência e que optou por questões de gerenciamento a ser pequena, vive hoje, após a Covid-19, um momento de transição importante, devido à escassez de investimentos pelos clientes no mercado e baixa de trabalho e faturamento.

Como tudo na vida, os altos e baixos fazem parte da existência de seres humanos e igualmente de empresas. Entretanto, não podemos parar. É uma condição sine qua on,que é buscar incessantemente, graças aos relacionamentos e conhecimentos construídos ao longo uma trajetória, a busca por novos caminhos, especialmente, agora o da comunicação interna e externa altamente digitalizada, seguindo uma tendência que veio para ficar.

Nesse quase meio século, o que muda hoje – em relação ao passado – é o avanço da tecnologia digital, permitindo condições das empresas em criar e desenvolver cada qual em diferentes meios e em escala, os seus materiais comunicativos. Em 1975, quando a Unit começou, investi com os sócios da época um alto valor (com o apoio de um tio, que hipotecou a sua casa), numa máquina chamada Composer da IBM, que parecia uma máquina de escrever elétrica, mas que já transformava um texto digitalizado duas vezes, obrigatoriamente, em paicas e transformando-o em colunas gráficas. Depois disso, bastava cortar a impressão gerada em tiras e colá-las numa página em formato que conviesse e montar a diagramação, para seguir para um fotolito e impressão.

Tempos depois a fotocomposição dominou, numa época onde a Lei de |Informática impunha reservas e não se conseguia comprar os computadores avançados fabricados no exterior e só se usava também software nacional. No caso, o Página Certa, que rodava bem nos computadores XT e depois 286, 386, 486, criando as páginas já prontas e diagramadas com prints para a revisão. Investimos muito na época em treinamento e processos.

Na década de 90 foi a vez da liberação da “camisa de força” da lei e entrar no Brasil os primeiros Macintosh da Apple, associados à internet, que com seus recursos acabaram aos poucos com outros meios e geravam páginas prontas em impressoras com produtividade e qualidade. As imagens então eram um problema pois não existiam máquinas digitais e tinha de ser convertidas do papel fotográfico para os scanners, que custavam perto de 50 mil dólares.

Até 2000, as impressoras, por seu turno, mescladas com softwares como o PageMaker, sucedido mais tarde pelo InDesign, ampliaram a eficiência e produtividade dos materiais gráficos e de comunicação. Nesse tempo tínhamos impressoras japonesas que custaram significativamente, que em contrapartida, imprimia na hora uma publicação. 

Durante uma convenção de vendas de um cliente fabricante de pneus em Ilha de Comandatuba, Bahia, em 1999, com internet escassa conseguimos imprimir um jornal diário numa dessas impressoras.

 Mais ainda: no final da convenção entregamos uma revista impressa, fechada entre a sexta-feira e o sábado – para os revendedores quando faziam checkout do hotel – e  numa operação com logística aérea e rodoviária, pessoal, entre outras peripécias. 

Mas, a grande lição, de tudo isso, na verdade, é que de nada adianta em termos de tecnologia, no caso hoje a digital, sem experiência de quem promove a apoia a comunicação de uma empresa.

É preciso ter domínio de conteúdo e forma. Ir muito além de apenas se contratar uma geração de gente que domina o “informatiquês”, sem, entretanto o conhecimento sobre o conteúdo (a gente vê, com algumas exceções, a inserção de argumentos pobres e com uso peculiar de clichês) e arte gráfica (carente de estudos visuais e utilização de signos batidos de pouca criatividade e pressupondo o lugar-comum). 

É preciso inovar.

Cada empresa tem identidade e comunicação própria. Se não tem cabe à agência pesquisar e criar um objeto de estudo, que torne esse cliente atraente para o mercado em que atua. Ou seja, a agência tem de se envolver com o negócio do cliente e contribuir no seu faturamento e sucesso. 

Em nossa história já aconteceu de começarmos à trabalhar para o departamento de marketing e logo se envolver de tal forma com a empresa – por meio da criação e desenvolvimento de peças e materiais de resultado -, que passamos à atender outras áreas estratégicas, a exemplo do RH, Segurança no Trabalho, Vendas e Informática. Assim, acredito, que mesmo sob este momento dramático em nossas vidas refletidos pela  pandemia, com todos os desafios do momento, tenho de olhar para trás e seguir adiante, pois como diz o poeta Fernando Pessoa (1888-1935): “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.

Anselmo Ferreira é Jornalista
e Diretor Geral da Unit Digital.
anselmo@unitpress.com.br